quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Alerta “lagarta dos pinheiros” - Alto risco tóxico!

Este ano, talvez pelas condições climatéricas, devemos estar mais atentos a este inseto altamente tóxico. Anualmente a processionária, como é vulgarmente chamado, é responsável por elevada mobilidade, podendo mesmo causar a morte dos nossos animais.
É relativamente fácil identificar esta praga. Observamos os seus ninhos principalmente em pinheiros e com a chegada dos primeiros dias amenos do ano começa a descida até ao solo, deslocando-se como que em procissão. O seu potencial tóxico é enorme, uma vez que estão revestidas por uma vasta camada de pelos urticantes de elevado potencial alérgico para animais e Homem.
O cão, movido pela sua curiosidade natural, frequentemente é a espécie mais afetada. Cheirando e abocanhando as lagartas do pinheiro, chega mesmo a ingeri-las. Por este motivo os lábios, a mucosa oral e a língua, são as partes do corpo que mais lesões apresentam. 

Os sinais clínicos mais frequentes são:
-Edema da face e língua, ptialismo (salivação excessiva), disfagia (dificuldade em engolir), falta de apetite, dificuldade na preensão dos alimentos, intenso prurido na face, vómito, apatia, porções da língua com coloração castanha, azulada a negra.

Se desconfiar que a sua mascote pode ter contactado com esta lagarta, ou o rasto dela, deve de imediato seguir para o veterinário e se possível, entretanto, lavar com água fria as zonas de hipotético contacto. 

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Antropomorfização do animal de companhia



Muitos dos nossos animais de companhia vivem em permanente ansiedade, sendo completamente ignorado o seu estado e até confundido com bem-estar.

Para o equilíbrio psicossomático das nossas mascotes é muito importante que saibamos quais as suas necessidades, nomeadamente aquelas relacionadas com o seu repertório, ou seja, aquelas cujo padrão comportamental caracteriza a espécie em causa e permite que esta esteja saudável do ponto de vista psíquico.
Dos muitos exemplos aqui ficam dois:
-Manifestação do ato predatório nomeadamente no gato, que é tão característico através das brincadeiras de esconde e ataca; 
-A necessidade de explorar o meio (farejando) e sinalizar a presença (marcando frequentemente com urina) que é tão típica do cão. 
Percebemos logo aqui a necessidade de ação, entretenimento, exercício que os nossos animais de companhia mais representativos (cão e gato) precisam.

Cada vez mais me deparo com animais que passam longos períodos de tempo sozinhos, em pequenos apartamentos e sem o cuidado de um adequado enriquecimento ambiental. Mais, apenas quando já temos situações de somatização (cistite, dermatite, gastrite, etc) dos problemas psíquicos, ou situações de destruição dentro de portas é que há pedidos de ajuda (felizmente já vamos tendo muitas soluções na medicina veterinária).

A atual sociedade sempre a correr atrás do tempo, com relações cada vez mais virtuais e uma maior necessidade de contacto com a natureza, vai substituindo, em vez de complementar, as relações humanas por relações com animais de companhia. O grande risco é projetar nestas últimas apenas interpretações do ponto de vista humano, não permitindo, consciente ou inconscientemente, que os animais tenham pelo menos alguns momentos em que sejam eles próprios, nomeadamente com oportunidade de expressarem os seus comportamentos típicos e assim estarem em equilíbrio.


Para melhor compreendermos os nossos animais de companhia e evitarmos excessos com projeções erradas daquilo que é o nosso bem-estar, recomendo que antes de os adquirimos saibamos um pouco mais, também, sobre o seu etograma (comportamentos típicos de cada espécie).   

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

E no Natal chegou o animal de companhia…


Não vem nenhum mal ao mundo desde que tenha sido uma decisão bem pensada, nunca por impulso!
Nesta altura do ano, é relativamente frequente sermos abordados acerca dos planos de vacinação e desparasitação mais adequados ao novo elemento da família. Sim, podemos falar deste modo uma vez que os animais de companhia não são coisas e são já classificados como seres sencientes, capazes de ter sentimentos de medo, dor, felicidade, prazer, com direito a serem respeitados e devidamente cuidados.
Tal como nós, humanos, é muito importante fazer desde cedo uma boa prevenção de doenças e parasitoses. No cão e no gato (animais de companhia mais representativos) esta prevenção deve iniciar-se logo no primeiro mês de vida no caso da desparasitação e no segundo mês no caso da vacinação.
Atualmente, para além dos planos básicos de medicina preventiva, a tendência é ajustar a cada mascote um plano mais ou menos reforçado de acordo com a sua origem, particularidades, estilo de vida, local onde vive, etc.
Dúvidas sobre o tipo de alimento, cuidados de higiene, utensílios/enxoval necessários, educação e treino, são também bastante frequentes. 
Em relação à alimentação o meu conselho vai para um alimento composto (vulgarmente designado por ração) de elevada qualidade (premium). É mais seguro e equilibrado (é testado cientificamente) e permite maior comodidade na nossa vida atual bastante agitada (não precisamos, nem devemos cozinhar para eles). 
Outro pilar importante, diria até determinante, é a aposta na educação e treino. A frequência de uma Puppy ou Kitten Class (cachorros ou gatinhos respetivamente), é de extrema importância para uma boa socialização, aprendizagem de mascotes e tutores sobre a melhor educação e comportamentos, de modo a termos animais de companhia adultos equilibrados e tutores mais informados e responsáveis.

Nada melhor do que se dirigir ao veterinário o mais cedo possível (idealmente antes de adquirir a mascote) para saber exatamente o que, quando e como deve fazer.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Liguemo-nos mais à Natureza

Chegados ao Natal e ao fim de mais um ano, é tempo de nos recolhermos nos afetos.
Proponho que paremos um pouco e façamos um balanço do que ficou para trás.
Enquanto profissional de saúde toca-me em particular aquela que é porventura a nossa maior preocupação de cada ano que passa — Ter saúde!
É certo que cada vez mais a medicina encontra soluções e, felizmente, vamos todos (animais de companhia e humanos) aumentando a esperança média de vida.
Mas de que serve viver mais tempo, se estamos a destruir o nosso Planeta e qualquer dia não temos onde morar?
O ano que passa é marco histórico de um sério aviso — É hora de assumirmos, de uma vez por todas, o compromisso de respeitar e preservar a Natureza!
Portugal sofreu um duro golpe com uma onda gigantesca de incêndios, em particular na nossa região. Compete-nos mudar comportamentos, chamando a atenção ao mundo para vivermos de modo sustentável, no respeito pelo equilíbrio deste nosso magnífico Planeta Azul.
Abdiquemos do atual modelo de sociedade de consumo e cultivemos cada vez mais a nossa ligação à Natureza, promovendo o contacto físico com a mesma.
Voltar a mexer na terra; afagar, acarinhar, criar animais; cultivar plantas; ter muitos amigos de carne e osso, promovendo encontros com abraços apertados, é talvez mais importante hoje do que alguma vez foi...

Festas felizes e muita saúde para todos!

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Siga 3 passos antes de adotar um animal de companhia

1º Avalie se o seu estilo de vida é compatível com a adoção de um animal de companhia. Informe-se sobre os seus cuidados diários, idas ao veterinário, legislação a respeitar, como fazer quando se ausentar ou for de férias, etc;

2º Se passou o primeiro requisito, tente saber que tipo de animal de companhia melhor se adequa ao seu perfil. 
No caso de optar pelo gato terá, porventura, de ser um pouco mais tolerante em relação a “moldá-lo” à sua vontade, mas terá o fascínio duma presença impetuosa com “exigências” bem peculiares. 
Decidindo pelo cão e em particular por determinada raça, não deixe de saber as suas características de temperamento/caráter (ex. um Serra da Estrela é em particular protetor, inteligente, recatado e um pouco teimoso;  um Beagle, que se vê tanto agora, é um cão predominantemente alegre, ativo, muito curioso, inteligente mas também teimoso requerendo um bom adestramento);

3º Se já sabe qual a espécie e eventualmente a raça que quer, então é importante saber onde adquirir e ao que deve estar mais atento. 
Se optou por um cão de raça vá buscá-lo a um criador que valorize a socialização, não cedendo cachorrinhos antes das 8 semanas (há uma aprendizagem fulcral junto da mãe e irmãos). Se a escolha foi para um cão sem raça definida, deve dirigir-se a um dos muitos Centros de Recolha de Animais (oficiais e “menos oficiais”). Tente perceber se houve convivência com outros da espécie e humanos até aos 2 meses de idade, se não há medo à sua aproximação, estando especialmente atento a todos os sinais que lhe pareçam estranhos, sendo que na dúvida deve procurar ajuda no veterinário. De referir que por norma estes animais são mais resistentes a doenças e, da minha experiência, posso afirmar que são de uma dedicação e inteligência excecionais.

Se escolheu a companhia de um gato tenha em atenção os mesmos requisitos e recomendações anteriores, sendo que não deve adotar um gato assilvestrado (gato que vive no exterior e não se aproxima do Homem, estando em perfeito equilíbrio com o meio envolvente desde que as necessidades da colónia onde se insere não ultrapassem os recursos existentes).

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Que fazer quando vemos um animal perdido?

Provavelmente devido aos incêndios (ou não…), em que muitos animais se perderam, continuamos a receber comunicações e pedidos de ajuda a animais, inclusive recém nascidos, supostamente perdidos.
É impossível ficarmos indiferentes a estas situações, mas nem sempre atuamos da maneira mais correta… 
É importante abordarmos estes animais com todo o cuidado e segurança, pois muitas vezes estão em pânico podendo o seu comportamento não ser o mais amistoso.
Se tivermos mesmo de contactar com eles (por ex para os afastar da via pública) podemos usar uma manta ou toalha para os envolver, tornando a aproximação mais confortável e segura. 
Por muito que nos apeteça levá-los para casa, este não é o procedimento mais indicado. Devemos acionar as autoridades locais (Câmaras Municipais, GNR) e até mesmo nacionais como o SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente).
Existem leis e entidades responsáveis pela proteção destes animais. Enquanto se for vivendo da caridade e boa vontade de alguns, outros acomodam-se…
Isto de acolher e cuidar cada animal que se encontra, fazer peditórios, “postar” em redes sociais fotografias para adoção de forma avulsa mas sempre generosa e voluntariosa é de louvar, mas não pressiona a tutela a fazer o seu trabalho que seria ir de imediato resgatar esses animais, os acolher condignamente (lembro a obrigatoriedade de todos os municípios terem o seu Centro de Recolha Oficial de Animais devidamente equipado), verificar se têm microchip e ao mesmo tempo investigar a possibilidade de abandono, tendo mão pesada para os infratores.
Se entretanto não fossem localizados os respetivos tutores, então, em interação com os mais diversos promotores do bem-estar animal locais e nacionais (Centros de Atendimento Médico Veterinário, Associações ligadas ao mundo do animal de companhia, população em geral), seriam divulgados oficialmente os animais para adoção e de forma criteriosa selecionados os potenciais adotantes. 

É um dever e um direito exigirmos que se apliquem as leis e o sistema funcione! Enquanto isso cá vamos todos improvisando as ajudas o melhor que podemos…

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Decidir pela cirurgia de esterilização?

Não é fácil decidir pela cirurgia de esterilização para o nosso animal de companhia. 
Sendo considerado para muitos como um elemento da família, há uma inevitável relação de afetividade que nos impele a proteger, evitando todos os hipotéticos sofrimentos. 
Tendo em conta que a palavra “cirurgia” traz consigo uma carga negativa, é fácil compreender alguma resistência dos tutores a sujeitarem o seu animal de companhia a uma orquiectomia (machos) ou a uma ovariohisterectomia (fêmeas), mas posso assegurar que hoje em dia, tendo o cuidado de escolher bem o local (com bloco cirúrgico dedicado, equipa experiente, consulta pré cirúrgica onde tudo seja bem avaliado e explicado) este tipo de intervenção é feita com muito cuidado e rigor, mas sobretudo com muito respeito pelo bem-estar animal, sendo espantosa a atitude de conforto pré e pós cirúrgica dos animais intervencionados. 

É certo que gostamos das nossas mascotes e queremos que sejam felizes.  Para tal, entre outros cuidados básicos de saúde e se não pretendemos que deixem descendência, a esterilização é altamente recomendável.
O controlo da natalidade é apenas um dos muitos benefícios que a esterilização induz. Vejamos mais: 

-Aumenta a esperança média de vida;

-Diminui a probabilidade de aparecimento de alguns tumores e doenças relacionados com os orgãos sexuais e hormonodependentes; 

-Diminui o comportamento territorial (marcação e confronto entre machos principalmente);

-Diminui levando ao desaparecimento da líbido, prevenindo fugas e comportamentos de risco;

-De um modo geral aumenta a estabilidade emocional uma vez que anula variações hormonais ligadas ao sexo;


-É constatada maior frequência de concentração na aprendizagem e na demonstração de conhecimentos.