sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Vacinação e desparasitação no gato

O gato está cada vez mais presente nos lares portugueses, tendendo mesmo a ultrapassar o cão na clássica função de animal de companhia. No dia a dia clínico verifico ainda muito desconhecimento em relação aos cuidados especiais que este felino precisa, nomeadamente em aspetos tão básicos como a vacinação e a desparasitação.

Quando desparasito o meu gatinho?

Por norma a desparasitação interna deve ser feita a partir das 2 semanas de idade, repetindo de 15 em 15 dias até aos 3 meses, depois mensalmente até ao meio ano e posteriormente de 3 em 3 meses. No entanto este regime e os produtos a utilizar podem sofrer alterações de acordo com o estado de saúde e estilo de vida do gato. Neste caso o médico veterinário far-lhe-á um programa específico.
A desparasitação externa mais corrente é feita mensalmente podendo, de acordo com o produto escolhido e rotina de vida do felino, ser mais espaçada. 
Existem várias apresentações de desparasitastes internos e externos (existindo já estas 2 funções em 1 só apresentação) que facilitam muito a administração/aplicação em caso de gatinhos mais difíceis, não havendo desculpa para não os proteger;  

Quando e que vacinas faz o meu gato?


Por volta dos 2 meses deve iniciar o plano vacinal. Fará uma vacina polivalente contra as principais doenças respirarias e intestinal que o podem afetar, sendo reforçada após 3 a 4 semanas, seguida de revacinação anual. Se tiver acesso ao exterior, é recomendada a vacina contra a leucose felina com os respetivos reforços. Poderá fazer ainda a vacinação antirrábica, em particular se viajar.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Identifique bem o seu animal de companhia

Chegam as férias para muitos e com elas os passeios, nomeadamente com as mascotes. 
É cada vez mais frequente surgirem-nos na clínica pedidos de leitura de microchips em animais que pessoas acolhem, por perceberem que andam perdidos, esperando encontrar rapidamente os seus tutores. 
É certo que se têm microchip, o que felizmente é uma prática cada vez mais frequente, rapidamente localizamos o tutor. No entanto, os equipamentos de leitura destes dispositivos de identificação eletrónica, por norma, apenas estão disponíveis em Centros de Atendimento Médico Veterinário (consultórios, clínicas e hospitais) e em alguns postos da GNR, Câmaras Municipais e em poucos mais locais.

Como ajuda adicional:

-Coloque na coleira da mascote uma identificação de fácil e imediato contacto, por ex um ou dois nº de telemóvel;

-Já existem no mercado dispositivos que nos permitem localizar a mascote, sendo de fácil aplicação nas coleiras, transformando-as em autênticos GPS.

Em caso de desaparecimento, para além de posts nas redes sociais  e procura nas imediações, contacte de imediato a GNR e a Câmara Municipal mais próxima. Pergunte se no dia do desaparecimento houve alguma recolha de animais errantes. Contacte igualmente as associações de proteção dos animais em redor e o CROA (Centro de Recolha Oficial de Animais) da localidade. 

Nada substitui a nossa procura mais ativa, mas o importante mesmo é apostarmos na prevenção, tendo todos os nossos animais de companhia (cão, gato, …) devidamente identificados!

  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Cuidar de animais de companhia? 80% de desconhecimento!

Como o nome indica estes animais vão fazer-nos companhia, vão socializar connosco, com os que nos rodeiam e acompanhar-nos em muitas das nossas rotinas.
Embora tenhamos evoluído bastante nos cuidados de saúde primária, como sejam a desparasitação, a nutrição e a vacinação (esta última em risco de retrocesso, como alertei no último artigo), continuamos a ter falhas graves, em particular na área comportamental.
A Comissão Europeia apresentou recentemente uma conclusão do “Study on the welfare of dogs and cats involved in comercial practices”, onde diz que 80% dos novos tutores não estão bem informados em relação às necessidades e características da mascote que adquirem.
Dentro da comunidade veterinária é importante o aconselhamento no sentido duma consciencialização para a importância de se estar bem informado no momento da aquisição do animal de companhia. “Um aspeto fundamental que deve transmitir-se é a importância de um período de socialização e a exposição a diversos estímulos para assegurar um bom comportamento”. 
Sabemos que a partir da quarta semana de vida, mas em particular depois da oitava (chegada ao novo lar) o cão está em plena fase de socialização. Esta prolonga-se em média até às 14 semanas e deve ser aproveitada ao máximo. Recomendo que este período, tão crucial para termos um cão adulto equilibrado, seja desenvolvido com base num conhecimento e técnicas de reforço positivo, sob pena de cairmos em processos de quase  “inundação” de estímulos que, ao invés de marcar com naturalidade e confiança o cachorro, o pode tornar inseguro e inclusive desenvolver-lhe medos com tudo o que de negativo e até perigoso isso pode ser em adulto. 

Aconselho vivamente, para além de todos os cuidados de saúde primários, a frequência de uma Puppy Class!     

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Vacinação de animais de companhia em queda!

O alerta vem da PDSA (uma organização não governamental dedicada à saúde e bem-estar animal) e fundamenta-se em estudos, pasme-se, no Reino Unido, onde se constatou uma quebra significativa da taxa de primovacinação, assim como da revacinação anual. Entre as causas para a não vacinação está o facto de haver quem a ache desnecessária!?
Foi entretanto lançada uma companha pela PDSA no sentido de incentivar a vacinação nos animais de companhia, reforçando que só deste modo é possível poupar os animais a sofrimento desnecessário e mesmo à morte.
Mais preocupante é que este fenómeno parece estar a alastrar… 
Os últimos dados que dispomos no Grupo HVV (abrangendo Viseu, Seia e Oliveira de Frades), reforçam este alerta. Temos registada uma quebra nas revacinações anuais, com aparecimento de casos, ainda que isolados para já, de doenças que seriam perfeitamente evitáveis com correta vacinação!
Como médica veterinária há mais de duas décadas, temo que andemos para trás. Evoluímos muito em particular nesta área. Graças à aplicação sistemática e rigorosa, nomeadamente de programas de vacinação obrigatórios, (ex vacina contra a raiva) conseguimos erradicar algumas doenças tanto nos animais como nas pessoas!

Façamos aquilo que outros, por ventura mais entendidos que nós, concluíram com muito esforço e investigação ser o melhor caminho, ou seja, apostemos fortemente na medicina preventiva e vacinemos as nossas mascotes!

sexta-feira, 9 de junho de 2017

“E o Homem criou o cão…”

Estudos apontam para que o processo de domesticação que deu origem ao cão doméstico, Canis familiaris, tenha sido precedido por associação entre o Homo sapiens e o lobo, Canis lupus.
O Homem obteria vantagem da proximidade do lobo (ajuda na caça, proteção e defesa de território) e o lobo ficaria com as sobras de alimentos. A pele do lobo adulto serviria de agasalho e as suas crias seriam levadas para junto das crianças como brinquedos. Se em adultos mostrassem temperamento dócil, seriam mantidos, senão eram sacrificados ou devolvidos ao seu habitat.
Terá havido preferencia por animais que mantinham em adultos comportamentos de jovens, como a docilidade, dependência, atividade lúdica e facilidade em formar novos vínculos sociais, assim como características físicas de crias (corpo, cabeça e dentes pequenos). 
Tenhamos presente que o atual fiel amigo apresenta comportamentos semelhantes aos do lobo cria e jovem adulto, por exemplo solicita cuidados esperando que lhe seja fornecida comida, proteção, mas também pode apresentar condutas de territorialidade, caça (muito visíveis quando corre atrás de carros, bicicletas,…) e pode até manifestar agressividade (mais em algumas raças) em particular se não for educado/treinado adequadamente.
Depois surgiram as raças por múltiplos cruzamentos orientados, acentuando muitas vezes “defeitos” tidos como desejáveis (pele enrugada, crânio achatado, desproporção entre membros e coluna, marcada territorialidade, …) que obrigam a mais cuidados e alertas. 
O ideal seria o tutor estar plenamente consciente das características da mascote que escolheu, no sentido de a cuidar o melhor possível.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Combater ansiedade com exercício

Cada vez mais nos surgem problemas comportamentais nos animais de companhia.
Não é que eles tenham começado a existir, mas sim porque há mais consciência de que não é normal “ladrar a toda a hora”, “rosnar e fugir sempre que algo novo aparece”, “atacar tudo o que mexe”, ou simplesmente não haver maneira de tolerar determinada rotina (andar de carro, andar à trela, ficar sossegado sempre que o tutor se ausenta, …).
Estudos evidenciaram que as primeiras experiências de vida e o exercício estão intimamente associados a comportamentos reveladores de ansiedade. Constatou-se que cães medrosos tinham pior socialização e menor qualidade de cuidados maternos no princípio da vida. Verificou-se também, nesses estudos, que a quantidade de exercício diário é o fator ambiental mais importante associado à sensibilidade ao ruído e à ansiedade por separação, ou seja, cães mais sensíveis a barulhos e com ansiedade por separação mais marcada, tinham feito menos atividade física diária.

Para além das terapias mais ajustadas e direcionadas a cada caso, sabemos  que a promoção de exercício ajuda muito no controlo de todas as manifestações de ansiedade. Sugiro ainda, aquando da aquisição de uma mascote, que não a retiremos da mãe antes de completar dois meses de idade. Deste modo terá oportunidade de receber uma aprendizagem,  com a progenitora e irmãos, que é insubstituível e geradora de competências fulcrais para que tenhamos adultos mais equilibrados. Logo que chega ao novo lar devemos promover uma correta socialização (recomendo frequência de Puppy Class).

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Mais respeito e educação …

  Quando ouço notícias de maus tratos a pessoas, animais, plantas, meio ambiente, fico triste e indignada!
  Para melhor coabitarmos neste planeta, talvez não fosse má ideia começarmos por respeitar todos os seres vivos à nossa volta iniciando por nós, seres humanos, de modo a privilegiarmos a tolerância pelas diferenças e diferentes opiniões e gostos (desde que não causem dano moral e/ou físico a nenhum outro ser vivo).
  Quem não gosta de ter animais de companhia também deve ser respeitado. 
  Quem tem animais de companhia deve ter presente que para além do direito de os ter, tem também muitas obrigações!
  Sou de opinião que quem não pode acautelar a saúde e bem-estar de um animal, não o deveria ter. 
  Atenção que a saúde e bem-estar não passam só por alimentar, prover abrigo e acautelar doenças! 
  Quem tem por exemplo um cão, tem obrigatoriamente de o educar corretamente se o quiser feliz e integrado na sociedade (passear na via pública, frequentar parques, esplanadas, praias, andar em meios de transporte públicos, …).
  Independentemente de o nosso cão ser mais ou menos meigo deve, pela dele e nossa segurança, andar com trela segura por quem tenha capacidade para tal… Este bom hábito deve ser um gosto para o cão e seu tutor, havendo já boas escolas de treino que ajudam na aquisição desta e de muitas outras competências.  

  Há países onde já é obrigatório os cães frequentarem escolas de treino juntamente com os seus tutores (na minha opinião, os que mais precisam…). Se de facto quem adquire um animal de companhia tiver consciência de todas as suas necessidades e capacidades, melhor e mais responsavelmente o cuidará e menores serão as tristes ocorrências de ataques de e a animais.