sexta-feira, 13 de julho de 2018

Reabilitação motora nos animais de companhia


A reabilitação motora, mais conhecida por fisioterapia, tem por objectivo a recuperação e manutenção da mobilidade em mascotes devido a acidentes, doenças ou idade avançada. Existem muitas condições neurológicas e musculares que podem ser tratadas com o recurso a técnicas de fisioterapia.

Este trabalho, em conjunto com as terapias médicas habituais, melhora o processo de cura e diminui o tempo de recobro em situação hospitalar, principalmente em animais geriátricos ou após cirurgia ortopédica.
Principais objectivos:

  • Aumento do fluxo sanguíneo que, por consequência, melhora a circulação local aumentando o poder de cicatrização  e cura dos tecidos envolventes;
  • Diminuição do edema e da inflamação crónica;
  • Aumento da flexibilidade;
  • Recuperação da mobilidade e dos movimentos normais;
  • Diminuição dos espasmos musculares;
  • Alívio da dor;
  • Diminuição do tempo de recobro em internamento hospitalar;
  • Redução do aparecimento de úlceras de decúbito.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Coprofagia. O meu cão come fezes, como evitar?

Coprofagia é a ingestão de fezes do próprio ou de outros animais. Em alguns casos é normal, como por ex nos recém-nascidos, quando ainda não sabem evacuar sozinhos, a mãe lambe os filhotes para estimular a eliminação de urina e fezes ingerindo-as. Também se sabe que é normal poder existir coprofagia nos cachorros, aproximadamente até aos 6 meses. Ainda assim, este comportamento deve ser prevenido o mais precocemente possível de modo a evitar que se instale.
Quando há coprofagia em adultos, que não em situação pós parto, torna-se um comportamento anormal.
Possíveis causas: 
  • Ficar preso e sozinho por muito tempo pode gerar ansiedade, podendo “entreter-se” na ingestão das fezes;
  • Observar a limpeza dos seus dejetos pode despoletar uma tentativa de imitação do tutor, incentivando a coprofagia; 
  • Punição. Pode comer fezes por ter associado castigo. Um clássico exemplo é o “esfregar” do focinho nos dejetos, quando por exemplo evacuou no sítio proibido;
  • Parasitas;
  • Fome;
  • Ração de fraca qualidade (deficiência nutricional);
  • Presença de fezes de gato o que, em caso de tendência para a coprofagia, pode levar à sua ingestão. Pensa-se que tal comportamento se deve ao facto da ração para gato ser mais rica em proteína (gato é um carnívoro estrito).

Como evitar?
  • Reduzir a solidão e o tédio no cachorro dando-lhe mais atenção, exercícios e brinquedos interativos;
  • Depois dos 6 meses de idade evite alimentá-lo só uma vez ao dia, fornecendo-lhe  pelo menos 2 refeições por dia;
  • Não o repreenda por fazer fezes no local errado, isso poderá incentivar a sua ingestão;
  • Recolha as fezes assim que possível, evitando ser visto pelo cachorro;
  • Desparasite-o com regularidade;
  • Caso tenha gatos, coloque as caixas de areia em locais onde ele não consiga chegar;
  • Escolha um alimento de alta qualidade;
  • Existem também produtos que pode adicionar à ração e que ajudam a dissuadir a coprofagia;
  • Quando o hábito está instalado, pode ter ainda de recorrer a técnicas específicas de treino. 

sábado, 9 de junho de 2018

Higiene oral nos animais de companhia…

Não é a primeira vez que escrevo sobre este assunto, mas faço-o novamente e continuarei a faze-lo até que haja uma consciencialização da importância dos cuidados de higiene oral na prevenção de múltiplas doenças, assim como na manutenção do bem-estar nos nossos animais de companhia.

Devemos começar desde cedo, logo na dentição de leite (aproveitando o período sensível de socialização), com a habituação ao manuseamento da cavidade oral. Deste modo, mais tarde, tudo será fácil e natural para a mascote. Através do uso de escovas de dentes mais adequadas, ou até das nossas, devemos criar a rotina de escovar diariamente a dentição dos nossos animais de companhia, mas recorrendo a pastas dentífricas especificamente elaboradas para eles (as nossas são tóxicas!). O recurso a snacks e brinquedos com ação positiva na higiene oral também é altamente recomendável.

Mesmo assim e com todos os cuidados, nomeadamente fazendo também uma alimentação adequada, há animais mais predispostos a desenvolver patologias da cavidade oral. A visita regular ao veterinário permite detetar precocemente e tratar da melhor forma, as alterações que forem diagnosticadas (retenção de dentes de leite, gengivites, tártaro, fraturas dentárias …)

Há que evitar a todo o custo o aparecimento de doença periodontal que, para além de comprometer a permanência das peças dentárias, é potenciadora de lesões noutros orgãos tão importantes como os rins e o coração!  

Eu sei que não é fácil escovar diariamente os dentes daquele “brincalhão” que insiste em partir a escova…, mas não devemos desistir (ex recurso a treino) e não abdiquemos também de lhe fazer uma alimentação que o “obrigue” à mastigação (mais à trituração), através da oferta maioritariamente de alimento seco, complementando com snacks e brinquedos de higiene oral. 

Depois, descompliquemos também as eventuais intervenções que possam ser necessárias como sejam as destartarizações (já rotineiras para muitos). Hoje em dia é possível realizar estes procedimentos com absoluta segurança.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Novo elemento no lar. Ciúmes na mascote?


Quantas vezes ouvimos, até pensamos, que o nosso animal de companhia pode estar com ciúmes, pelo facto de passarmos a repartir a atenção e cuidados com mais um elemento na casa, seja ele humano ou não?

Ora, embora uma nova presença no lar possa desencadear no nosso animal de companhia uma reação adversa como perda de apetite, medo, ansiedade, etc, não é por certo devido a ciúmes (sentimento de humanos) mas sim por outros fatores, como sentimentos de ameaça territorial, de partilha de recursos (comida, atenção do tutor, …) e sobretudo por um deficit na fase sensível da socialização da mascote.  


Então como contornar este problema?

Deve evitar-se o seu aparecimento. Para tal é fundamental uma adequada socialização na altura mais sensível da mascote, ainda muito jovem, onde se estabelecem os primeiros vínculos, relacionamentos sociais e em que todas as experiências são determinantes para o padrão de comportamento no adulto. O facto de familiarizarmos desde cedo a mascote com aquilo que fará parte do seu futuro, minimizará situações de stress como esta que descrevo. 

Mesmo assim devemos seguir protocolos de apresentação de novos elementos em casa:
-Atempadamente promover um ambiente de adequada feromonoterapia;
-Apresentar, em ambiente relaxante, odores e sons característicos do futuro “intruso” e aplicar reforço positivo;
-Tentar manter as rotinas da casa e da mascote com a chegada do “hospede”;
-Por último apresentar diretamente, de forma suave, o novo elemento sempre com reforço positivo (um afago, biscoito e ou brinquedo favoritos e incentivos verbais). Nunca esquecer a vigilância, em particular se temos a entrada de bebés de qualquer espécie, em particular da nossa, cujo comportamento pode não ser de imediato descodificado pelo nosso animal de companhia, principalmente se houve falhas a este nível na sua fase de socialização. 

Mais uma vez insisto na frequência de Puppy e Kitten Classes de modo a prevenirmos esta e muitas outras situações. 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Hipertensão nos animais de companhia, uma doença escondida…

Genéricamente a hipertensão arterial deve-se a um aumento persistente da pressão arterial sistólica ou seja, quando o coração bombeia o sangue pelas artérias e a pressão exercida contra as paredes destas está constantemente aumentada.
Por norma esta doença é silenciosa, só apresentando sinais visíveis ao tutor quando já temos lesões nos órgãos alvo. Assim, é importante medir precocemente e com regularidade a pressão arterial nas nossas mascotes (preventivamente, uma vez por ano a partir da idade adulta).


Quais os orgãos mais suscetíveis a sofrerem lesões?

Serão todos os mais irrigados e claro está, todo o sistema cardiovascular devido ao aumento constante da resistência dos vasos sanguíneos. 
São exemplos os rins, o cérebro, o coração e os olhos.

Quais os sinais mais frequentes:

-Alterações na função renal, com perda de apetite, vómito, sinais laboratoriais (aumento da cretinina sérica,  proteinúria, anemia,…);
-letargia, cansaço (sopro cardíaco, arritmias, …);
-Alterações na visão (retinopatia hipertensiva, até cegueira em casos mais graves);
-Encefalopatia hipertensiva com sinais neurológicos como andamento descoordenado (atáxia), mudanças comportamentais, convulsões até coma.   


terça-feira, 24 de abril de 2018

Como atuar quando a mascote fez asneira?

Buracos no jardim, sapatos roídos, cocós onde não era suposto, tudo espalhado,… é um cenário frequente que quem tem animais de companhia, em particular cachorros, encontra ao chegar a casa.

A tendência será agir mostrando má cara e dando uma boa repreensão para que não haja próxima vez.

Ora, o nosso animal de companhia não tem desenvolvida a sua “memória semântica” e o relacionamento temporal causa/efeito é imediato, ou seja, quando lhe ralhamos: “Olha o que fizeste! Isto não se faz!” ele apenas vai ficar assustado, ou até entusiasmado com a nossa atenção, não conseguindo entender o nosso ralhete e muito menos associá-lo aos disparates que fez durante o dia.

Também não se pense, que quando ele chega perto de nós com as orelhas para trás e a cauda entre as pernas é porque sabe que fez asneira…O que acontece é que ele vai antecipar a resposta de medo ao nosso comportamento (repetido “n” vezes) e claro, como ralhamos sempre junto ao disparate, ele tende a associar que é para repetir.



Então o que fazer?

-Ignorar o sucedido e agir como se estivesse tudo bem; 
-Não limpar, compor ou arrumar na frente da mascote (também aprende por imitação, podendo entender por ex que o sapato roído é mesmo para brincar);
-Nunca usar aversivos (empurrões, puxões,…).Não deve aprender por medo, mas sim com confiança no tutor (o medo leva a ansiedade, que por sua vez pode conduzir a agressividade);
-Fazer treino de comportamentos desejáveis (sempre com reforço positivo);  
-Fazer enriquecimento ambiental de modo a promover um correto entretenimento (ex: brinquedos interativos, atividades de tempos livres);
-Promover exercício físico;
-Ter uma boa dose de paciência e ser muito persistente.   

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Urinar e defecar no local certo

O que à partida pode parecer impossível de aprender é na realidade bem mais fácil se compararmos connosco, ser humano, que chegamos a andar e falar ainda com fralda…
Se tudo for feito corretamente, de forma paciente, persistente e coerente, numa semana o nosso cachorro pode aprender a fazer no sítio certo:

1º Comece por lhe mostrar o local onde quer que elimine logo que ele acorda, depois de brincar e, muito importante, depois de comer;

2º Recompense-o com alimento próprio e uns afagos sempre que fizer no local desejado;

3ª Por norma o cão prefere uma superfície absorvente para urinar e defecar. Numa fase inicial, retire tapetes e carpetes do pavimento e revista a zona que quer como WC com resguardos ou jornais. Gradualmente vá reduzindo o espaço ocupado por esse substrato, mantendo-o limpo, sem no entanto eliminar por completo a “lembrança” de zona sanitária. Tem ainda a vantagem de poder levar consigo esse revestimento “sanitário” e permitir à mascote uma fácil associação em qualquer local.

Existem outras técnicas e dicas que recomendo serem demonstradas por treinador devidamente formado (escola de reforço positivo). 
Só um ex: 

-Se por algum motivo a mascote não aprende ou desaprende e faz no local errado, nunca lhe bata ou esfregue o focinho nas dejeções (não vai conseguir associar o castigo ao erro…). Também não limpe à sua frente (por “imitação" pode começar a espalhar as fezes ou a ingeri-las). O melhor é ignorar, limpar o local com detergente neutro e depois aplicar um repelente adequado. Se ainda assim continuar a eliminar nesse local, transforme-o num ponto de comida, por norma a mascote não gosta de eliminar onde come.