sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Ansiedade por separação no gato.

Tenho constatado um aumento de pessoas com vida bastante preenchida que optam por ter um gato.
É preciso ter consciência que os animais de companhia requerem atenção e conhecimento. O gato, em particular, é bastante exigente em termos de maneio e enriquecimento ambiental (gosta do “wc” limpo, água fresca, simular caçadas, arranhador, zona tranquila de descanso, …). Este felino aprecia a presença do tutor e por norma gosta de ser acariciado na justa medida, mas não pensemos que passa bem sem a nossa companhia. É certo que o gato pode não ser tão exuberante a manifestar ansiedade como o cão, mas também pode sofrer com a separação do tutor.
Sinais que podem estar relacionados com ansiedade por separação:
-Vocalização excessiva;
-Lamber-se em demasia, podendo mesmo originar lesões cutâneas;
-Urinar ou defecar em locais impróprios;
-Arranhar ou morder objetos não habituais;
-Vómito recorrente.
O que fazer para minimizar a ansiedade por separação:
-Habituar às rotinas de saída (ex: pegar nas chaves várias vezes por dia e pousá-las; sair por pequenos períodos que se vão estendendo na medida em que o gatinho os for tolerando);
-Recorrer a feromonoterapia;
-Deixar música calma;
-Esconder alimentos pela casa de modo a estimular o instinto de caça;
-Oferecer brinquedos de estimulação cognitiva nos quais pode colocar alimento ou catnip (planta que atrai a sua atenção);
-Não o castigue se encontrar um cenário desagradável. Isso só iria agravar o seu estado de ansiedade. Deve sim, intensificar as estratégias atrás referidas;
-Não adquira outro animal de companhia sem testar se é do agrado do atual. A ideia de uma companhia resolver o problema de ficar sozinho pode inclusive ser catastrófica;
-Aconselhe-se com o veterinário. Apesar de existirem algumas normas, cada caso é um caso.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Tenho um cachorrinho. E agora? (2ª parte)

Dúvidas mais frequentes:

Quantas vezes o desparasito?

De um modo geral, deverá ser desparasitado internamente de 15/15 dias até aos 3 meses de idade, depois mensalmente até ao meio ano, seguido de 3/3 meses em adulto. Hoje em dia estes protocolos tendem a ser ajustados ao estilo de vida de cada mascote. A desparasitação externa deverá seguir as recomendações do produto selecionado, devendo ter um alargado espetro de ação antiparasitária. 

Que vacinas vai fazer?

Os cachorros terão de fazer várias vacinas e respetivos reforços. Entre outras, vai ser vacinado contra a parvovirose, a esgana, a hepatite, leptospiroses, parainfluenza e raiva.

Como o devo educar?

Com recurso a reforço positivo. Evite a punição. Para melhor educar recomendo a frequência de uma Puppy Class.

Para já deve dormir perto de mim?

Um cachorrinho que vinha habituado (pelo menos deveria vir) a estar junto da mãe e dos irmãos, sentirá uma mudança muito brusca se for de imediato colocado a dormir sozinho. Se não for um problema para o tutor, este poderá numa fase inicial deixá-lo dormir perto de si e gradualmente o ir afastando até que fique confortável no sítio onde pretende que descanse sempre. Deverá habituá-lo a dormir dentro de um local relativamente pequeno, proporcionando-lhe mais aconchego, como por ex uma transportadora. Este local pode ficar mais agradável com recurso a algo quente que simule o corpo da mãe e irmãos.

Posso deixá-lo sozinho?


Pode, mas sempre de forma gradual. Existem técnicas que evitam o desenvolvimento de ansiedade por separação. A frequência de uma Puppy Class ajuda muito também a familiarizar-se com estas práticas.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tenho um cachorrinho. E agora?

Dúvidas mais frequentes. 1ª parte:

Pode ir à rua?

Sim. Deve ir com ele a todo o lado que pretenda frequentar em adulto, sempre sob vigilância e adequado controlo (recomendo uso de peitoral e trela). Deve dar-lhe a conhecer o que o rodeia de forma suave e com confiança. Para um adulto mais equilibrado é importante que o socialize adequadamente em cachorrinho. Estes e outros temas são abordados em Puppy Classes, pelo que recomendo a sua frequência.  

Já pode tomar banho?

Sim. Apenas ter cuidado em usar produtos específicos e promover uma boa secagem. Recomendo mesmo iniciar os banhos nesta altura se os quer continuar em adulto.

Pode comer da nossa comida?

Não. Para além de não lhe fazer bem, poderá fazer uma associação errada do tipo de comida que pode fazer parte da sua alimentação e mais tarde poderá até ingerir ,inadvertidamente, restos de alimentos impróprios quando em passeio, ou ter tendência a pedir e até “roubar” a nossa comida, dando origem a situações complicadas como intoxicações, alterações gastro intestinais, mau desenvolvimento com problemas osteoarticulares, de obesidade,...

Qual o melhor alimento?

Aconselho um alimento composto (vulgarmente designado por ração) super prémium. Na falta de conhecimentos que permitam optar pela melhor marca, sugiro que, pelo menos no primeiro ano de vida, escolha pela relação preço/qualidade (por norma quanto mais elevado o preço melhor a qualidade do alimento).

Quantas vezes deve comer por dia?

Com 2 meses de idade (mais ou menos a idade com que chega ao lar), nunca deverá fazer menos de 3 refeições/dia (idealmente 4). Em adulto recomendo 2 refeições, sendo que há raças que só aceitam 1.

Continua no próximo Espaço de Opinião Veterinária

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Vacinação e desparasitação no gato

O gato está cada vez mais presente nos lares portugueses, tendendo mesmo a ultrapassar o cão na clássica função de animal de companhia. No dia a dia clínico verifico ainda muito desconhecimento em relação aos cuidados especiais que este felino precisa, nomeadamente em aspetos tão básicos como a vacinação e a desparasitação.

Quando desparasito o meu gatinho?

Por norma a desparasitação interna deve ser feita a partir das 2 semanas de idade, repetindo de 15 em 15 dias até aos 3 meses, depois mensalmente até ao meio ano e posteriormente de 3 em 3 meses. No entanto este regime e os produtos a utilizar podem sofrer alterações de acordo com o estado de saúde e estilo de vida do gato. Neste caso o médico veterinário far-lhe-á um programa específico.
A desparasitação externa mais corrente é feita mensalmente podendo, de acordo com o produto escolhido e rotina de vida do felino, ser mais espaçada. 
Existem várias apresentações de desparasitastes internos e externos (existindo já estas 2 funções em 1 só apresentação) que facilitam muito a administração/aplicação em caso de gatinhos mais difíceis, não havendo desculpa para não os proteger;  

Quando e que vacinas faz o meu gato?


Por volta dos 2 meses deve iniciar o plano vacinal. Fará uma vacina polivalente contra as principais doenças respirarias e intestinal que o podem afetar, sendo reforçada após 3 a 4 semanas, seguida de revacinação anual. Se tiver acesso ao exterior, é recomendada a vacina contra a leucose felina com os respetivos reforços. Poderá fazer ainda a vacinação antirrábica, em particular se viajar.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Identifique bem o seu animal de companhia

Chegam as férias para muitos e com elas os passeios, nomeadamente com as mascotes. 
É cada vez mais frequente surgirem-nos na clínica pedidos de leitura de microchips em animais que pessoas acolhem, por perceberem que andam perdidos, esperando encontrar rapidamente os seus tutores. 
É certo que se têm microchip, o que felizmente é uma prática cada vez mais frequente, rapidamente localizamos o tutor. No entanto, os equipamentos de leitura destes dispositivos de identificação eletrónica, por norma, apenas estão disponíveis em Centros de Atendimento Médico Veterinário (consultórios, clínicas e hospitais) e em alguns postos da GNR, Câmaras Municipais e em poucos mais locais.

Como ajuda adicional:

-Coloque na coleira da mascote uma identificação de fácil e imediato contacto, por ex um ou dois nº de telemóvel;

-Já existem no mercado dispositivos que nos permitem localizar a mascote, sendo de fácil aplicação nas coleiras, transformando-as em autênticos GPS.

Em caso de desaparecimento, para além de posts nas redes sociais  e procura nas imediações, contacte de imediato a GNR e a Câmara Municipal mais próxima. Pergunte se no dia do desaparecimento houve alguma recolha de animais errantes. Contacte igualmente as associações de proteção dos animais em redor e o CROA (Centro de Recolha Oficial de Animais) da localidade. 

Nada substitui a nossa procura mais ativa, mas o importante mesmo é apostarmos na prevenção, tendo todos os nossos animais de companhia (cão, gato, …) devidamente identificados!

  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Cuidar de animais de companhia? 80% de desconhecimento!

Como o nome indica estes animais vão fazer-nos companhia, vão socializar connosco, com os que nos rodeiam e acompanhar-nos em muitas das nossas rotinas.
Embora tenhamos evoluído bastante nos cuidados de saúde primária, como sejam a desparasitação, a nutrição e a vacinação (esta última em risco de retrocesso, como alertei no último artigo), continuamos a ter falhas graves, em particular na área comportamental.
A Comissão Europeia apresentou recentemente uma conclusão do “Study on the welfare of dogs and cats involved in comercial practices”, onde diz que 80% dos novos tutores não estão bem informados em relação às necessidades e características da mascote que adquirem.
Dentro da comunidade veterinária é importante o aconselhamento no sentido duma consciencialização para a importância de se estar bem informado no momento da aquisição do animal de companhia. “Um aspeto fundamental que deve transmitir-se é a importância de um período de socialização e a exposição a diversos estímulos para assegurar um bom comportamento”. 
Sabemos que a partir da quarta semana de vida, mas em particular depois da oitava (chegada ao novo lar) o cão está em plena fase de socialização. Esta prolonga-se em média até às 14 semanas e deve ser aproveitada ao máximo. Recomendo que este período, tão crucial para termos um cão adulto equilibrado, seja desenvolvido com base num conhecimento e técnicas de reforço positivo, sob pena de cairmos em processos de quase  “inundação” de estímulos que, ao invés de marcar com naturalidade e confiança o cachorro, o pode tornar inseguro e inclusive desenvolver-lhe medos com tudo o que de negativo e até perigoso isso pode ser em adulto. 

Aconselho vivamente, para além de todos os cuidados de saúde primários, a frequência de uma Puppy Class!     

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Vacinação de animais de companhia em queda!

O alerta vem da PDSA (uma organização não governamental dedicada à saúde e bem-estar animal) e fundamenta-se em estudos, pasme-se, no Reino Unido, onde se constatou uma quebra significativa da taxa de primovacinação, assim como da revacinação anual. Entre as causas para a não vacinação está o facto de haver quem a ache desnecessária!?
Foi entretanto lançada uma companha pela PDSA no sentido de incentivar a vacinação nos animais de companhia, reforçando que só deste modo é possível poupar os animais a sofrimento desnecessário e mesmo à morte.
Mais preocupante é que este fenómeno parece estar a alastrar… 
Os últimos dados que dispomos no Grupo HVV (abrangendo Viseu, Seia e Oliveira de Frades), reforçam este alerta. Temos registada uma quebra nas revacinações anuais, com aparecimento de casos, ainda que isolados para já, de doenças que seriam perfeitamente evitáveis com correta vacinação!
Como médica veterinária há mais de duas décadas, temo que andemos para trás. Evoluímos muito em particular nesta área. Graças à aplicação sistemática e rigorosa, nomeadamente de programas de vacinação obrigatórios, (ex vacina contra a raiva) conseguimos erradicar algumas doenças tanto nos animais como nas pessoas!

Façamos aquilo que outros, por ventura mais entendidos que nós, concluíram com muito esforço e investigação ser o melhor caminho, ou seja, apostemos fortemente na medicina preventiva e vacinemos as nossas mascotes!