quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Cães e gatos séniores. A que estar mais atento e o que fazer?

O cão e o gato entram na idade sénior por volta dos 7 anos (podendo variar um pouco com a espécie e a raça). 
É muito importante um bom acompanhamento também neste período. Então, o que fazer?
-Check up de saúde regular (no mínimo anualmente) se possível com exames complementares (análises sanguíneas, medição da pressão arterial, ...);
-Planos vacinais e de desparasitação em dia;
-Exercício e atividades de estimulação cognitiva. A ideia de que “Passa muito tempo a dormir, porque é velho...” é errada! Muitas vezes há recusa ao movimento por dor (levar ao veterinário!) e/ou falta de estimulação/atenção da nossa parte, o que pode desencadear/potenciar um processo de depressão/apatia, com agravamento do quadro clínico;
-Adequar o plano nutricional (introduzir alimentos dedicados a esta faixa etária).
Existem sinais que devemos estar mais atentos e que se forem persistentes devemos antecipar a visita ao veterinário: 
-Vómito recorrente (pode ser o primeiro alerta percetível pelo tutor de alteração renal);
-Alteração comportamental (mais parado, ou pelo contrário, excessivamente ativo como por ex. ladrar muito e a despropósito);
-Alteração na condição corporal (magreza ou aumento excessivo de peso);
-Alterações cutâneas (ex.: nódulos, muita queda de pelo com zonas de alopecia);
-Alterações nos hábitos alimentares e/ou urinários (sempre com fome, bebe e urina muito, ou, perda de apetite e dificuldade em urinar, ...);
-Alterações na coloração dentária e/ou mau hálito (podem indicar presença de tártaro, gengivite, alteração renal, …); ...

Sendo o envelhecimento um processo fisiológico, ele apenas traz novos desafios. É nossa obrigação ajudar a viver melhor esse tempo, que é de sabedoria e em que muitas vezes os nossos animais de companhia já nem precisam de nos ver ou ouvir para saberem exatamente o que nós queremos, merecendo ainda mais os nossos cuidados e atenção! 

 Dra. Isabel Maia
Médica Veterinária
Grupo HVV – Hospital Veterinário Viseu

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

As alterações no planeta e o impacto nos animais

Ainda relacionado com a polémica das alterações climáticas...
Um estudo recente diz que existem cerca de 5200 espécies de animais em risco de extinção (dados da União Internacional para a Conservação da Natureza). 
Preservar a Natureza é urgente! É a biodiversidade que está em causa e é já uma questão de lógica da nossa própria sobrevivência enquanto animal que partilha este Espaço.
Sabe-se que a biodiversidade é fundamental para o equilíbrio da vida na Terra. Sempre que uma espécie se extingue é uma peça do puzzle que se perde, pondo em risco o significado final do quadro da Vida.
Temos de nos envolver preservando a natureza, reciclando, não poluindo, preferindo energias renováveis e ajudando/(in)formando o próximo! 
Ainda que pareça pouco o que cada um pode fazer e isso o desmotive, lembrar que “o muito é feito de muitos poucos”.
Em relação ao veterinário que dedica a sua vida aos animais de companhia e qual o seu direto papel neste terrível cenário enquanto profissional, deixo uma pequena história...
“Certo dia alguém fez a seguinte pergunta a um médico veterinário:
-Se o mundo está tão mal, havendo tanta gente doente e a morrer, porque é que desperdiça o seu tempo com animais?
E a resposta pronta foi:
-Se há tanto animal doente, incluindo animais e pessoas a morrer devido a nós, seres humanos, porque é que eu hei de desperdiçar o meu tempo com quem nos destrói?”. 
Sim, é urgente cuidar de todos os animais, sendo que os mais “doentes” e porventura a precisar de cuidados mais “profundos” sejamos mesmo nós, os humanos…
Termino com o forte desejo que um dia se concretize a frase de Louis Pasteur: “a medicina cura o homem, a medicina  veterinária cura a humanidade”.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cancro nos animais de companhia: prevenção e sinais de alerta!

A Oncologia na Veterinária está na ordem do dia, não só pelo aumento do nº de animais com cancro (muito devido à longevidade que já conseguem atingir), mas também pela grande evolução que tem havido no seu  diagnóstico e tratamento. Sem dúvida que a PREVENÇÃO e o DIAGNÓSTICO PRECOCE merecem a maior das atenções!

Prevenção

Falar de PREVENÇÃO em cancro é sinónimo de assumir boas práticas com as nossas mascotes: 
-Nutrição de elevada qualidade (alimento Premium ou Super Premium);
-Vacinações e Desparasitações em dia (sinónimo de sistema imunitário fortalecido);
-Manutenção do peso ideal (adequado plano nutricional e exercício físico, vão reforçar o sistema imunitário);
-Boa saúde oral (direta prevenção de cancro na cavidade oral e com impacto em todo o organismo);
-Boa saúde da pele e pelagem (direta prevenção, mas sobretudo deteção precoce, de alterações dermatológicas);
-Evitar exposição a poluentes (fumos, poluição em geral...);
-Cirurgia preventivo/eletiva (nomeadamente esterilizações/castrações precoces, fazendo deste modo uma efetiva prevenção de tumores mamários, do útero, dos ovários, dos testículos e ainda de alguns tumores da próstata);
-Visitas regulares ao médico veterinário (1 a 2 vezes por ano) para check ups de saúde (principalmente em animais com mais de 5 ou 7 anos, dependendo da raça).

Diagnóstico precoce

O DIAGNÓSTICO PRECOCE é fundamental para o sucesso terapêutico. A sintomatologia de cancro é muitas vezes inespecífica, mas, principalmente em mascotes geriátricas, existem SINAIS DE ALERTA:  
-Emagrecimento súbito;
-Perda de apetite;
-Claudicação, muitas vezes associada ao aparecimento de massas/nódulos/edemas em alguma parte do corpo;
-Aparecimento de massas/nódulos/edemas;
-Vómito, fezes moles e diarreia recorrentes, alterações na micção, por vezes com presença de sangue;
-Tosse persistente, dificuldade respiratória;
-Dor;
-Muito cansaço durante caminhada/exercício;
-Mucosas pálidas;
-Febre recorrente;
-Feridas que não cicatrizam;
...

 Dra. Isabel Maia
Médica Veterinária
Grupo HVV – Hospital Veterinário Viseu

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Leishmaniose. Dúvidas?

O que é?

É uma doença causada por um protozoário (Leishmania infantum), transmitido através da picada de um inseto (Phlebotomus perniciosus) parecido com um mosquito muito pequeno (2 a 3 mm), e que se estima ter elevada prevalência na população canina do nosso país.

Quais os principais sintomas?

Os sintomas mais frequentes manifestam-se na pele (feridas de difícil cicatrização, seborreia aumentada, maior queda de pelo); pode haver também crescimento exagerado das unhas; perda de peso com atrofia muscular; anemia; epistáxis; hipertrofia dos gânglios linfáticos; insuficiência renal; …

É grave?

Pode ser muito grave, principalmente se não for diagnosticada a tempo.

É fácil o seu diagnóstico?

Sim, o diagnóstico da leishmaniose pode ser obtido em cerca de 20 minutos, com um teste rápido para deteção de anticorpos em apenas algumas gotas de sangue.

Tem cura?

Ainda não tem cura, mas pode ser convertida numa doença crónica e assintomática se devidamente tratada e monitorizada.

Pode ser prevenida?


Sim, pode ser prevenida através do uso de um ou, idealmente, da associação de PRODUTO TÓPICO com ação REPELENTE do INSETO transmissor, com a VACINA contra a leishmaniose e/ou com uma SOLUÇÃO ORAL específica ESTIMULANTE da IMUNIDADE. Devem-se evitar passeios ao amanhecer e entardecer, principalmente em épocas de maior calor onde o inseto vetor é mais ativo, e ainda assegurar um bom estado de saúde (ter os planos vacinais, de desparasitação interna e externa atualizados, fazer uma adequada alimentação …).

É transmissível ao Homem?

Não é transmissível ao Homem diretamente pelo cão, mas o inseto que infeta o cão também pode infetar o Homem.

E atenção! 

Continuamos a diagnosticar, nomeadamente no distrito de Viseu, casos de leishmaniose... 

Apelo à PREVENÇÃO!

 Dra. Isabel Maia
Médica Veterinária
Grupo HVV – Hospital Veterinário Viseu

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Esterilização/Castração em Cães e Gatos: Dúvidas?


É Verdade que prolonga a Vida?
-Sim. Proceder à esterilização por ovariohisterectomia (remoção dos ovários e útero) precocemente, duplica a esperança média de vida (evita tumor mamário, uterino, ovárico, infeções nestes órgãos, …);

As fêmeas devem ter crias antes de serem esterilizadas?
-Não. Podem até ser esterilizadas antes do primeiro cio de modo a eliminar a possibilidade de aparecimento de tumor mamário;

Quando esterilizar?
-Posso esterilizar em qualquer idade, sendo ideal por volta dos 6 a 7 meses (variando com a espécie, raça, sexo e indivíduo);

A esterilização predispõe à obesidade? 
-Sim, mas existem alimentos próprios para animais esterilizados que evitam tal situação;

Esta intervenção cirúrgica é segura? 
-Sim. Hoje em dia este tipo de intervenção pode ser realizada sob escrupulosas medidas de segurança. É importante a opção por um local com bloco cirúrgico dedicado e bem equipado, assim como uma equipa cirúrgica experiente.
Deve ser realizada consulta pré cirúrgica onde é feito um rigoroso exame físico, de modo a conhecer bem a mascote e poder realizar a anestesia geral e procedimento cirúrgico com toda a confiança;

Que cuidados devo ter coma mascote após a cirurgia?
-Na 1ª semana deve haver repouso e vigilância/desinfeção da linha de sutura/acesso. Poderá também haver medicação para casa. A alimentação passa a ser para esterilizados;

Quais os principais benefícios da esterilização/castração para os machos? 
-Diminui o risco de fugas, reduz a incidência de lesões por diminuição de lutas, diminui ou elimina comportamentos de marcação de território, diminui a incidência de tumores prostáticos, elimina a possibilidade de tumores testiculares, diminui a agressividade, aumenta a esperança média de vida.














quarta-feira, 26 de outubro de 2016

(Não) tenha medo e abra a boca da sua mascote!

Arrisco dizer que 3 em cada 4 leitores vai ficar surpreendido com aquilo que vai ver...
Desde alterações na cor dentária, tártaro, gengivites, fraturas/excessivo gastamento dos dentes, más oclusões, perdas de peças dentárias ou dentes de leite retidos, são fáceis de encontrar. E não se pense que o mau hálito, hipersalivação, engolir os alimentos sem uma “trincadela” sejam normais!

Estima-se que cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos com mais de 3 anos, tenham já sintomatologia de doenças da cavidade oral

Para termos ideia da frequência das patologias orais, estima-se que cerca de 80% dos cães e 70% dos gatos com mais de 3 anos, tenham já sintomatologia de doenças da cavidade oral. E atenção que estas patologias vão ter impacto no organismo, podendo causar infeções graves em órgãos tão importantes como o coração e os rins! 
Uma ideia errada e com que me deparo ainda muitas vezes, é o tutor achar normal que com a idade a mascote tenha algum tipo de alterações das que referi. “Não, não é normal!”
Tenhamos presente que as mascotes usam a boca na “descoberta” do seu mundo, e que nem sempre têm à disposição os melhores recursos no que toca à prevenção na saúde oral. 
Por outro lado, a cada vez mais próxima relação entre o animal de companhia e o Homem, torna quase impossível evitar erros de antropomorfização também a nível alimentar e como tal é de esperar, que surjam mais mascotes com tártaro, gengivite e doença periodontal.

A prevenção é fulcral

A prevenção é fulcral e passa por habituar a mascote ao manuseamento da boca com escovagem dos dentes. Existem ainda pastas dentífricas enzimáticas, snacks, alimentos secos e brinquedos específicos, com ação positiva na saúde oral. São importantes as visitas regulares ao veterinário! Se houver tártaro, este fará uma destartarização, sob anestesia geral, ainda que leve, evitando qualquer sensação dolorosa e stress associados ao procedimento.
E sim, “antropomorfizemos” as mascotes escovando-lhes os dentes diariamente, principalmente se tivermos cães de pequeno/médio porte, que se sabe estarem mais predispostos à formação de tártaro.

 Dra. Isabel Maia
Médica Veterinária
Grupo HVV – Hospital Veterinário Viseu

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Urgências Veterinárias!

Da casuística que tenho acompanhado, verifico que há ainda um grande desconhecimento do que é verdadeiramente uma urgência em veterinária.
Ainda vejo chegarem à consulta animais que não urinam há dias... (principalmente gatos) e que ninguém valorizou devidamente; que fizeram uma lesão ocular severa e que ficaram à espera que se resolvesse sozinha...; que subitamente começaram a vomitar e que não havia maneira de “dizerem” o que tinham comido...; que não evacuam há dias... e que finalmente deixaram de comer; animais que chegam brancos e “estafados” de anémicos e que só hoje os tutores se aperceberam; ...

Tenhamos mais atenção, pelo menos às funções vitais das nossas mascotes, e sempre que algo não nos pareça de acordo, porque não telefonar de imediato ao médico veterinário e expor a situação?
É para isso também que nós existimos, e podem crer que é sempre um gosto poder ajudar! 

Situações em que deve de imediato contactar o serviço de urgência veterinária

Eis algumas situações em que deve de imediato contactar o serviço de urgência veterinária:
-Atropelamentos, quedas, mordeduras,  com suspeita de lesões ainda que não lhe pareçam graves; 
-Queimaduras, cortes, ferimentos diversos que suspeite terem alguma gravidade;
-Golpes de calor (não deixar as mascotes dentro dos carros, ainda que à sombra), ou de frio;
-Intoxicações ou suspeita delas;
-Lesões oculares;
-Perda de apetite por mais que 24h;
-Notório esforço de vómito infrutífero e consecutivo, principalmente em cães de raças grandes e gigantes;
-Aparecimento súbito de salivação excessiva;
-Súbita dificuldade respiratória;
-Convulsões, tremores ou desequilíbrio;
-Incapacidade de defecar ou urinar, com múltiplas tentativas falhadas;
-Diarreia profusa, ou com presença ou suspeita de sangue;
-Febre;
-Presença ou suspeita de sangue na urina, fezes, secreções nasais, ou orais.

 Dra. Isabel Maia
Médica Veterinária
Grupo HVV – Hospital Veterinário Viseu