domingo, 15 de março de 2020

Preparar a mascote para a primavera, 8 conselhos



As alterações climáticas (a primavera chega cada vez mais cedo…) a par da mudança de hábitos no que toca à maior proximidade com os animais de companhia, fazem com que os cuidados de medicina preventiva se vão adaptando às novas realidades e sejam cada vez mais exigentes.

Eis alguns conselhos:

1.Atualize as desparasitações (interna e externa), de acordo com o estilo de vida do seu animal de companhia, zona geográfica onde reside e recomendações do veterinário;

2.Verifique se tem as vacinas em dia. No caso do cão recomendo vivamente proteção contra a leishmaniose, a par do habitual e obrigatório programa de vacinação. O melhor será informar-se das diferentes opções junto do seu veterinário;

3.Evite passeios junto a zonas com pinheiros e cedros, onde é mais provável encontrar um inseto, conhecido vulgarmente como lagarta do pinheiro ou processionária (nome atribuído por se deslocar em fila/procissão) e que é altamente tóxico;

4.Cuidado com os períodos prolongados dentro de carros, mesmo que à sombra! O risco de golpe de calor aumenta substancialmente na época mais quente;

5.Tão importante como ter um bom alimento é disponibilizar água fresca diariamente e incentivar o seu consumo;

6.Se o seu animal de companhia tem uma pelagem densa com sub pelo (aquele pelo fininho que se solta em tufos quando chega a primavera), deve escová-lo com mais regularidade, sendo que em alguns casos pode beneficiar com tratamento de grooming mais completo num profissional dedicado;

7.Por vezes nesta altura também surgem problemas de foro alérgico. É importante estar atento aos primeiros sinais, (comichão, vermelhidão, faltas de pelo) e procurar ajuda no veterinário. Existem várias abordagens que numa fase inicial podem passar por correção alimentar, suplementação, banhos terapêuticos, antipruriginosos, uso de correta e mais eficaz desparasitação, etc;

8.Com passeios mais regulares (o bom tempo convida), tornam-se ainda mais importantes o civismo e a boa educação: obrigatório andar à trela e limpeza escrupulosa dos dejetos (andar sempre com saquinhos nos bolsos).

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O que não é compatível com bem-estar animal


Para que deixe de existir inconsciência sobre o que sentem os animais e o que é preciso para terem qualidade de vida, é importante ter presente o que os cientistas dizem. 

Divulgada pelo Farm Animal Welfare Council, a teoria das cinco liberdades dos animais criada pelo Prof John Webster vem dizer que todos os animais devem estar livres de:

-Fome e sede;
-Desconforto;
-Dor, lesões ou doenças;
-Impedimentos para expressar comportamentos naturais;
-Medo ou aflição.

Talvez seja mais fácil e imediato percecionar as três primeiras liberdades, mas se tivermos presente que está cientificamente provado que todas as espécies de mamíferos superiores sentem emoções, por mais ou menos básicas que sejam, tornam-se quase óbvias as duas últimas liberdades.

E quais são as emoções que os nossos animais de companhia podem sentir?

-Prazer ou bem-estar (percecionam estímulos agradáveis);
-Excitação (agitação psicomotora ou sexual);
-Sobressalto (comportamento em resposta a algo inesperado e repentino);
-Frustração (sempre que não conseguem algo que pretendiam);
-Medo (resposta perante uma ameaça);
-Aversão (emoção perante algo desagradável);
-Irritação ou ira (que se manifesta por agressão, seja por postura, vocalização, ou mesmo dano físico);
-Sofrimento (que pode aparecer devido a dor física ou emocional).


Muito se tem evoluído nesta área do conhecimento mas, infelizmente, parece continuar a ser necessário que lembremos estes conceitos…

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Animal de companhia e o dia de S. Valentim…


As justificações tidas como únicas de ter um “cão para guarda”, ou um “gato para caçar ratos”, deixaram de fazer sentido numa sociedade com serviços de proteção e defesa instituídos e cujo padrão higiossanitário descartou há muito pragas de outrora… No entanto surgem, para além da nossa vontade ou até motivando-a, novas “funcionalidades” do animal de companhia.

A dependência cada vez maior das tecnologias, com um mundo virtual a apoderar-se de nós, que vivemos a ritmo intenso, faz crescer, nem que seja subconscientemente, a necessidade de afetos e contacto com a natureza. 

A “falta de tempo” para a construção de relacionamentos entre humanos e porque a complexidade destes parece exponenciar-se quando interagem (porventura associada à perda de habilidades de socialização), parece potenciar o “uso” do animal de companhia como “carregador de baterias de afetos”, ou uma espécie de “efeito de dia de S. Valentim”. Nada contra, desde que o respeitemos e percebamos que também precisa de “guardar” e “caçar”… Quero com isto dizer que é importante, para além de amor e carinho, que o deixemos expressar comportamentos naturais e característicos de cada espécie. Obviamente que não precisamos de o incentivar a ladrar a estranhos e que poder brincar correndo atrás de objetos, adequados, pode muito bem simular uma caçada e satisfazer a manifestação de um comportamento inato predatório.
Por outro lado, deixarmos fazer tudo o que apetece ao animal de companhia sem lhe indicarmos uma rotina, um padrão de comportamentos a apresentar em sociedade, ou pensar que saber interagir connosco é suficiente, pode representar um risco para ele e para quem se cruze no seu caminho.


Insisto no valor afetivo do animal de companhia no lar e nos muitos benefícios que nos pode trazer! No entanto é necessário respeito e conhecimento das suas necessidades específicas para podermos ter uma relação entre humanos e animais cada vez mais benéfica. Assim, em particular para quem vive em sociedade, é fundamental a educação com muito treino… 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Coronavirus… A importância de uma só saúde


Com a certeza de um esforço sério no rápido controlo da doença provocada por este coronavirus, é importante evidenciar a higiene e os cuidados de saúde que devem ser transversais a todos os seres vivos. 
A dependência uns dos outros é cada vez mais notória, arriscando dizer que talvez dependamos mais nós dos outros animais do que eles de nós… Se não os cuidarmos não nos cuidamos!

As condições higiossanitárias muito deficientes em que pessoas e animais vivem em muitos locais do planeta, predispõem ao aparecimento de doenças, nomeadamente aquelas que resultam de quebras na “barreira animal”, passando a zoonoses (doenças que se transmitem dos animais ao homem). 
Quando falha o respeito por normas tão básicas como medidas de higiene e desinfeção, para não falar em programas de vacinação e desparasitação, não é difícil prever o aparecimento e disseminação de doenças como esta que surgiu na cidade de Wuhan na China.
Das vezes que visitei aquele país, fiquei impressionada com os mercados, nomeadamente com o tipo de produtos e animais expostos para consumo humano e seus duvidosos acondicionamentos…  

Felizmente para ocidente, nomeadamente no nosso país, a exigência é bem diferente. Desde programas de profilaxia animal até redes de fiscalização higiossanitária, todos funcionam de modo a contribuir seguramente para uma única e melhor saúde.
No que toca ao mundo dos animais de companhia, que partilham cada vez mais os nossos lares, impõe-se como prioritária a medicina preventiva de modo a promover a saúde e bem-estar de todos. 

O rigoroso cumprimento dos mais atualizados e completos protocolos de vacinação e desparasitação, assim como a seleção do melhor regime alimentar, cuidados de grooming, todos associados ao bom maneio ambiental e adequadas práticas de educação e treino, respeitando o padrão comportamental característico de cada espécie, tornam muito mais seguras e benéficas as cada vez mais estreitas relações intra e interespécie, promovendo a saúde num todo!  

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Será o animal de companhia um filho?


Vemos cada vez mais, no dia a dia clínico, famílias que optam por um animal de companhia a pedido do filho e que chegam a admitir que é o irmão que não lhe podem dar… ou que, não tendo filhos, adquirem animais tratando-os como filhos.
Penso não vir daqui nenhum mal ao mundo, se as necessidades de cada um forem respeitadas, nomeadamente as dos animais de companhia. É preciso ter noção que estes precisam de cuidados específicos, com regras e  ritmos próprios, sendo fundamental para o seu desenvolvimento equilibrado poderem expressar comportamentos próprios da espécie. Estes comportamentos são de tal maneira relevantes, que até fazem parte dos caracteres de classificação da espécie como tal. Não basta assim, sabermos que têm uma alimentação diferente da nossa, programas de desparasitação e vacinação próprios, cuidados de grooming, educação e treino de acordo não só com a espécie mas também com a raça, temperamento/caráter… É mesmo muito importante sabermos o etograma (repertórios comportamentais, ou comportamentos típicos) de cada animal que escolhemos para nos acompanhar. 
O aumento de patologias relacionadas com o que escrevi é notório e vão desde obesidade, doenças da cavidade oral, diabetes, gastroenterites, dermatites, cistites, … até a problemas comportamentais como ansiedades, fobias, agressividades, etc.

O ideal seria que antes de adotarmos o nosso animal de companhia, fizéssemos uma consulta ao veterinário no sentido de percebermos qual a espécie, raça, que melhor se adequa ao nosso estilo de vida e quais as reais necessidades e cuidados que exigirá.


Na minha opinião vejo os animais de companhia como um elemento da família que a completa, com identidade e comportamentos próprios a respeitar. Pode ser um “filho”, mas sempre diferente e especial!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Animais de companhia cada vez mais presentes...

Para quem tem animais ou simplesmente gosta, vemo-nos muitas vezes a incluí-los nos nossos anseios de Ano Novo: 

-Vamos finalmente adquirir aquele animal de companhia com que sonhamos;
-Para quem já tem, vamos fazer-lhe um check up de saúde mais completo, ou reforçar o plano vacinal contra aquelas doenças que até agora ainda não tivemos oportunidade de fazer; 
-Vai ser este ano que vamos controlar o seu peso e pô-lo no índice de condição corporal desejado; 
-Chegou finalmente a altura de tomar coragem e pedir ajuda para melhorar o comportamento da mascote; 
-Enfim, tanta coisa que podemos fazer melhor…

Ano após ano verificamos um aumento, na nossa prática clínica, do que acabei de escrever. 

Há cada vez mais pessoas a pedirem melhores cuidados, sendo cada vez mais exigentes e por vezes até um pouco extravagantes, eu diria mesmo, que tentam cada vez mais antropomorfizar os seus animais de companhia e aqui é preciso muito cuidado, pois podemos por em causa o seu bem-estar a ponto de lhes causar doenças! Um exemplo é a transposição da nossa dieta (somos omnívoros) para a dieta dos animais de companhia, sendo eles (cão e gato são os mais representativos) maioritariamente carnívoros e veja-se o absurdo, já há quem tente até que passem a vegetarianos! Outra situação relativamente frequente é a aplicação dos nossos valores de justiça na educação dos animais, com todos os desajustamentos que tais práticas possam causar, induzindo estados de ansiedade que podem escalar até à agressividade! Passo a exemplificar: sempre que temos um conflito entre animais debaixo do mesmo teto tendemos a repreender o dominante perante determinada situação e não deixamos que se entendam de forma natural (tendencialmente o mais forte naquele contexto irá impor ao outro a sua vontade de forma natural e assim se mantêm harmoniosamente os seus relacionamentos, sem nenhum “complexo de inferioridade ou superioridade de parte a parte”…). 


Muitos mais exemplos poderia dar mas o espaço de escrita é curto, assim, para concluir, deixo o desejo do respeito pela Natureza e seus equilíbrios, pois só desta forma poderemos coabitar todos em harmonia, nomeadamente com os nossos muito queridos animais de companhia!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Esterilizar?

Dada a polémica instalada num recente programa de televisão, decidi re-editar a minha opinião sobre o assunto:

Deixar fluir a natureza talvez fosse o ideal, mas nós interferimos há muito…

A partir do momento em que colocámos animais a fazer-nos companhia, alterámos as regras. Quero com isto dizer que os tornámos dependentes de nós e nós também cada vez mais deles. 

Com a domesticação ao longo de milhares de anos fomos “abafando” comportamentos de sobrevivência em particular no cão, mas também em muitas raças de gatos que diminuíram em muito, por exemplo, as suas capacidades predatórias.

O risco de termos animais de companhia abandonados (com a nova legislação, pelos vistos, é maior…) ainda por cima não esterilizados é uma bomba relógio, pois o potencial de multiplicação desajustado aos recursos e competências de sobrevivência é enorme!

Por outro lado, o simples facto de tomarmos conhecimento sobre as suas reais necessidades, ao mesmo tempo que descobrimos mais sobre o que melhora a sua vida, confere-nos maior responsabilidade.

É sabido, por exemplo, que a esterilização prolonga a vida (previne muitas doenças e comportamentos de risco), mas também contribui para o bem-estar do animal de companhia que vivendo, muitas vezes apenas connosco, sem possibilidade de expressar por completo o seu comportamento sexual, pode desenvolver ansiedade e até tornar-se agressivo.

Convém também equacionarmos se, vivendo já grande parte das mascotes em apartamento bem junto a nós, estaremos preparados para comportamentos de manifestação de cio (por parte de fêmeas não esterilizadas) ou resposta a este (por parte de machos não castrados), como sejam vocalizações mais exuberantes, marcação territorial, perdas de fluidos sanguinolentos, etc ?
Não me parece que a resposta seja consensual, pelo menos por parte de todos os inquilinos do prédio…


Ah, e não pensemos que os animais esterilizados ficam tristes, ou com algum problema comportamental por não deixarem descendência. Eles apenas respondem à sua atividade hormonal, não fazendo esse tipo de conjeturas. Há apenas alguns casos, em que a esterilização pode não ser de imediato recomendada (importante fazer consulta pré cirúrgica com médico veterinário).

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Animal de companhia na família, vantagens


São já muitos os estudos que nos referem benefícios resultantes do convívio com animais de companhia.Temos o privilégio de os percecionar diariamente na nossa atividade e nunca é demais enumerá-los: 

-Ajuda no desenvolvimento mais responsável e feliz das crianças;
-Combate à solidão, em particular nos mais idosos;
-Promoção de um estilo de vida mais saudável, em especial para quem vive em apartamento.“Obriga-nos” a mais saídas e contacto com a natureza, assim como mais exercício;
-Mais momentos de relaxamento e abstração dos problemas do dia a dia. Há sempre quem nos receba feliz no regresso a casa;
-Promotor de interação social. Quem resiste a um sorriso e até interagir, quando presencia brincadeiras, ou se cruza com aquela mascote bem disposta e comunicativa?;
Mais poderia referir, mas o importante é mesmo a relação de amor que se estabelece e fortalece os laços familiares.
Nos dias que correm, em que o mundo virtual vai tomando conta das relações entre as pessoas, o animal de companhia pode ser o elo de ligação aos afetos e trazer-nos de volta o calor das verdadeiras amizades.

Não deixo, no entanto, de referir que para que tudo isto funcione é necessário termos a noção que ter um animal de companhia não é uma coisa que possamos descartar mais tarde. Convém ter presente que vai exigir de nós tempo, espaço, disponibilidades financeiras, tolerância, sacrifícios, e sobretudo muita dedicação. 

Como estamos a chegar ao Natal e sabemos que esta altura é por natureza propícia à realização de sonhos, apenas peço que se ponderem todos os prós e contras, se o desejo for um animal de companhia…
Já agora e não me canso de o referir, informe-se sobre a espécie e, se for o caso, também a raça, onde será melhor adquirir (criador? centros de acolhimento/recolha?, etc), cuidados médico veterinários, obrigatoriedades legais, onde deixar quando sair (férias, situação de ausência por doença ou outros motivos), etc. 

Se tudo se conjugar, que venha de lá essa mascote cheia de saúde e que as alegrias sejam muitas!

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Registo de animais de companhia…Dúvidas?


Desde que têm vindo a público notícias sobre o que mudou a partir de 25 de outubro de 2019 no que respeita à identificação e registo dos animais de companhia, que a confusão é muita!

Para ajudar a esclarecer aqui fica um contributo:

-Todos os animais que já estavam identificados com microchip apenas tiveram uma passagem administrativa do seu registo para a nova base de dados que se designa por SIAC (Sistema de Informação de Animais de Companhia);

-Cães nascidos antes de 1 de julho de 2008 e que não eram obrigados a ter microchip, o prazo para a colocação deste é de 1 ano a partir de 25/10/2019;

-Gatos e furões nascidos antes de 25/10/2019 o prazo para aplicação do microchip é de 3 anos a partir da data acima referida;

-Animais com microchip, que por alguma falha de conclusão do processo, não se encontram registados, ou não aparecem na nova plataforma SIAC, o prazo máximo para fazer o registo é de 1 ano (a partir de 25/10/2019) sendo que num ato médico veterinário obrigatório como por exemplo uma vacinação antirrábica, tal registo é imperativo e deve ser feito de imediato;

-Cães, gatos e furões nascidos depois de 25/10/2019, têm de ser identificados com microchip (e obviamente registados) até aos 4 meses de idade;

-Deixa de ser necessário o registo dos animais de companhia nas juntas de freguesia (exceto cães perigosos ou potencialmente perigosos); 

-O custo do registo para o tutor/proprietário não são 2,5€, como tem aparecido em muita comunicação social. Tal custo é apenas uma pequena parcela do valor total (que é variável), representando unicamente o valor que a plataforma SIAC cobra ao médico veterinário pelo “alojamento” da informação relativa a cada animal de companhia.
 Já agora, não existe registo no SIAC sem a aplicação de microchip por um médico veterinário (custo do equipamento e honorários têm de ser contabilizados, como até aqui sempre foram). 
Qualquer registo isolado (quando já tinha microchip mas, por falhas, não estava registado) obviamente que também tem de contar com os custos operacionais (recursos humanos diferenciados, acesso ao SIAC e custo do alojamento da informação).

Na dúvida recomendo visita ao médico veterinário e já agora, dizer que não se sabe, não pode ser desculpa, pois as multas podem ser pesadas… 

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Comportamento animal. Pedidos de ajuda a aumentar!


Começamos por sonhar com a mascote que nos irá acompanhar…
Já sabemos que precisa de vacinas, desparasitação, boa alimentação, etc, mas continuamos a descurar aspetos fundamentais para o seu desenvolvimento equilibrado e saudável. 
Muitas vezes, apenas ponderamos alguma disponibilidade financeira e um pouco de espaço para, finalmente, irmos buscar aquela bolinha de pelo tão desejada!

Será que é a espécie que melhor se adequa a nós?

Ou a raça mais equilibrada para as nossas rotinas e feitio?

Ou ainda, será que temos informação suficiente para cuidar devidamente, nomeadamente no que toca ao comportamento animal?

São cada vez mais os pedidos de ajuda na área da medicina comportamental. Muitos casos começam por ser engraçados para os tutores mas com o passar do tempo vão evoluindo para verdadeiros problemas. 
Um exemplo é a ansiedade por separação em cães, com queixas dos vizinhos e até idas da polícia a casa. Outra situação é a escalada dos sinais de agressividade até ao ataque com mordida! Ou ainda a intolerância a outros animais, carros, pessoas a correr, etc o que dificulta passeios e toda uma vida social que gostaríamos usufruir com a mascote bem comportada. 
Vão surgindo novos problemas de comportamento, à medida que as relações com humanos se vão estreitando. A antropomorfização da mascote que vive connosco é quase inevitável. Assim, transpor para ela necessidades que são nossas ou, pelo contrário, não conhecer o seu etograma (padrão de comportamentos característicos de cada espécie), influenciam negativamente o seu bem-estar.
É cada vez mais importante termos o máximo de informação acerca da espécie, raça, ou simplesmente da proveniência e início de vida do animal de companhia a eleger. Depois, na chegada a casa (idealmente por volta dos 2 meses de idade) até somos parecidos: há que ir à escola… aproveitando o período “esponja” de aprendizagem nesta fase de  socialização e frequentar Puppy Classes para os cachorros e Kitten Classes para os gatinhos. 
Seguidamente, um treino de obediência básico em todos os cães é importantíssimo.

Insisto numa boa educação e treino durante toda a vida, de modo a manter o bem - estar de todos.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Medicina veterinária, novas possibilidades…


Com o aumento do respeito, consideração e sobretudo do amor pelos animais, aliados a uma investigação cada vez mais audaciosa com rápidos avanços da ciência, temos vindo a ultrapassar dificuldades, quebrando barreiras até há pouco intransponíveis. 

Hoje em dia temos ao dispor amplas ferramentas preventivas, meios de diagnóstico avançados, técnicas de tratamento médico cirúrgicas de ponta, novos medicamentos (desde os clássicos melhorados e adaptados à medicina veterinária, até aos mais “futuristas” como sejam as múltiplas abordagens com células estaminais, imunoterapias, etc), ou mesmo já a integração das diversas medicinas complementares (acupuntura, implantes de ouro, ozonoterapia, …) com a medicina convencional. Tudo isto associado à partilha da informação, rapidez e capacidade de circulação da mesma, assim como de produtos, sejam eles equipamentos ou medicamentos, faz com que se resolvam ou controlem cada vez mais patologias em praticamente qualquer ponto do planeta. 

Enfim, é a globalização também ao serviço da medicina veterinária. 

Concretizo com um exemplo onde a tenacidade do tutor foi fulcral para pôr em prática o que escrevi. 
Sucintamente, um gato muito especial sofreu um traumatismo, ficando incapacitado de urinar normalmente mesmo após esgotar todas as possibilidades tidas como viáveis envolvendo cirurgia, internamento prolongado com vários procedimentos de tentativas de recuperação da função de urinar autonomamente. O seu inexcedível e excecional tutor nunca desistiu dele, incentivando a equipa médica a ir “até ao fim do mundo” na tentativa de resolver definitivamente a obstrução da uretra por severa estenose (estreitamento). 

Assim, não medindo esforços, realizamos uma rara intervenção a nível mundial em animais de companhia, nomeadamente em gatos, com  a aplicação de um stent uretral (prótese de alargamento da uretra) que atravessou o oceano Atlântico, desde os USA até HVV Hospital Veterinário de Viseu, onde finalmente o nosso gatinho beneficiou de toda esta modernidade que só assim faz sentido!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Animal de companhia e comportamentos…


O desejo de ter um animal de companhia é ancestral.
O Homem evolui associado ao cão e mais tarde ao gato (animais de companhia mais representativos) criando mesmo vínculos com estes.  Há muitas teorias sobre este assunto (animais funcionam como objeto de apego como sugere Bowlby; representam objeto de transição segundo Winnicott; são parceiros na organização social dos sistemas biológicos como refere Faraco; etc). 
Esta relação cada vez mais estreita e pejada de projeções de parte a parte, pode evoluir de forma indesejada. Existem estudos que relacionam o aparecimento de problemas comportamentais com a inconsistência e desadequação de atitudes dos tutores, face ao temperamento e comportamentos exibidos pelas mascotes. 
É fundamental que se conheçam as particularidades da espécie, raça, ou indivíduo que se pretende introduzir no lar. Ter um animal como companhia é ter mais um ser vivo junto a sí que vai interagir, exigir cuidados a vários níveis, nomeadamente tempo para lhe dedicar em múltiplas tarefas, sejam elas obrigações menos agradáveis, ou tão simplesmente um passeio pelo parque. 
Numa altura em que se fala tanto do animal de companhia, é inevitável a pressão de legitimação de finalmente o adquirir. É de facto uma alegria trazendo muitos benefícios, mas também uma fonte de preocupações.
No dia a dia de clínica deparo-me com situações, por vezes bastante complicadas quer por alterações comportamentais graves, quer por doença física que era impensável… 

É preciso acautelar cuidados básicos de medicina preventiva incluindo a educação e treino, não esquecendo ainda de ter pensado onde deixar, ou quem vai cuidar do nosso patudo quando formos de férias, ou tão simplesmente, quando não estivermos presentes…

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Puppy Classes - O que são? Para que servem?


Com a abertura do ano letivo, olhamos com mais atenção para a educação e seu impacto no bom funcionamento da atual sociedade, que conta com vários intervenientes entre eles o fiel amigo cão.
Viver dentro de casa com o nosso cão, partilhando as nossas rotinas e criando as suas, deixou de ser tabu. Hoje em dia saímos com o cão ao parque e de férias (ou optamos por deixá-lo em hotel canino, onde é bom que seja pelo menos sociável…), levamo-lo à escola a buscar os filhos (seus inseparáveis companheiros de muitas brincadeiras) e até já o levamos a alguns cafés e restaurantes. Vivemos em apartamentos com ele, onde naturalmente nos cruzamos com vizinhos bípedes e não só…
Saber estar connosco e bem comportar-se em sociedade é fundamental para todos, em particular para o cão.
Será que sabemos exatamente qual o melhor método de aprendizagem e qual a melhor altura para iniciar de forma consistente a educação do cão?
É natural que surjam dúvidas e não basta saber que o método de aprendizagem atualmente aceite se baseia no reforço positivo, assim como não chega ter a noção que é desde cedo que se ensina a nossa mascote. É assim determinante para o desenvolvimento de um cão adulto equilibrado que se inicie o processo educativo assim que ele chega ao lar, ou seja, por volta das 8 a 10 semanas de idade. A fase sensível de desenvolvimento em que se encontra, período de socialização, é riquíssima em capacidade de aprendizagem marcante para o futuro caráter do cão. 
Neste contexto e para ajudar os tutores surgiram as Puppy Classes, que não são mais do que turmas para cachorros e seus tutores onde se ensinam princípios fundamentais sobre o comportamento do cão, enquanto se dão as primeiras indicações em treino e se trabalha adequadamente a socialização.
Os benefícios destas aulas estão cientificamente descritos e comprovados, sendo atualmente consideradas importantíssimas para o bom desenvolvimento do cachorro, diria mesmo que fazem parte dos cuidados básicos de medicina preventiva.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Animais dentro de casa e na rua… que cuidados?

São mesmo muitos os animais de companhia que coabitam connosco em Portugal, estimam-se em 6,3 milhões! 
Quer se goste ou não é uma realidade que temos de encarar e procurar viver todos em harmonia.
Do lado de quem gosta, é muito importante proporcionar condições de vida digna (cuidados de saúde e bem-estar) à mascote que elegeu como companheira, assim como respeitar quem optou por não ter animais de companhia (os motivos podem ser muitos, que não forçosamente não gostar de animais). 
Dadas as atuas exigências legais e morais (não esquecer que se evoluiu muito, ao ponto de sabermos que o cão e o gato —animais de companhia mais representativos— são seres sencientes e por conseguinte capazes de sentir sentimentos e sensações) é de esperar que o tutor/cuidador de hoje seja muito mais atento ao bem-estar animal, preocupando-se, para além dos cuidados de saúde básicos (desparasitação, vacinação, nutrição,…), também com a esterilização, educação, treino, enriquecimento ambiental de acordo com as características da espécie eleita.
Acontece que estes cuidados vêm de encontro a uma coabitação mais saudável e feliz no lar, no prédio, na rua, enfim, na sociedade… De todos os cuidados expostos, a esterilização ou castração é talvez aquele gera mais dúvidas. Para além de estar provado que esta condição prolonga a vida das mascotes, é importante também como meio de favorecer uma previsibilidade comportamental, que não estará dependente da libido de cada um, diminuindo ou evitando marcações de território, vocalizações muito frequentes em épocas de cio, ansiedade e até agressividade. 

No caso de ter escolhido o cão como companheiro, não se esqueça da importância deste vir à rua desde cedo, de modo a socializar e ficar bem integrado na comunidade. Seja esmerado nos cuidados com a limpeza dos dejetos e não se esqueça de fazer uma boa associação à trela e açaimo (em particular se tiver um cão de raça perigosa ou potencialmente perigosa). Assim será mais fácil sermos todos bem aceites (animais de companhia e nós que gostamos e os podemos ter) por aqueles que não gostam, mas não maltratam, ou que simplesmente não podem ter a companhia destes maravilhosos seres!

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Ter um animal de companhia exige muito mais do que as obrigações legais…

Vem de há muito, a relação entre o Homem e o animal de companhia. 
Têm surgido cada vez mais estudos que colocam, atualmente, esta relação no patamar dos afetos, provando que os animais de companhia nos trazem benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais, ajudando-nos a ser mais felizes e a ter mais saúde. Tal conhecimento implica da nossa parte maior responsabilidade  e vontade de os cuidar cada vez melhor.
Assim, para além das obrigações legais básicas dentro de Portugal e que são, atualmente, microchip nos cães e gatos e vacina da raiva em cães, com registo em boletim oficial da OMV ou em passaporte, temos o dever de proporcionar às nossas mascotes cuidados de saúde muito mais abrangentes!
Idealmente deveríamos preparar a chegada do novo elemento da família, sim, porque hoje em dia é maioritariamente esse o lugar que ocupam os animais de companhia. 
Considero muito importante começarmos por avaliar se temos condições económicas e tempo para dedicar ao novo elemento do lar. 
Depois, saber sobre as particularidades da espécie que pretendemos, ou que melhor se adequa ao nosso perfil, para irmos de encontro às condições de ambiente, rotinas e cuidados específicos que precisa.

De seguida, quando já temos o nosso eleito, a aposta na medicina preventiva será a decisão mais acertada. A importância de uma nutrição adequada (recomendo alimento processado, vulgarmente designado por “ração” e que seja de qualidade superior), planos de vacinação e desparasitação o mais completos possível, enriquecimento ambiental de acordo com a mascote selecionada, educação e treino, para além de cuidados de grooming e de higiene oral, entre outros, são pilares fundamentais para quem realmente se preocupa não só com o bem-estar da mascote, mas também de toda a família e comunidade.  

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Alerta obesidade!



Sabia que a obesidade está entre as doenças que mais afetam os nossos animais de companhia, nomeadamente o cão?

Investigação recente coloca a obesidade, as doenças dentárias e a osteoartrite como as três patologias que mais tempo duram e abalam o bem-estar dos cães
Esses estudos, realizados por investigadores do Royal Veterinary College, das Universidades de Cambridge e de Leeds, estão também de acordo com a casuística mais prevalente do Grupo HVV nos últimos 5 anos.

São cada vez mais os casos de excesso de peso e obesidade que nos surgem em Viseu, Seia e Oliveira de Frades, sendo frequente aparecerem-nos à consulta mascotes com as 3 doenças em simultâneo referidas naqueles estudos.

Dentição em mau estado, nomeadamente com presença de tártaro, pressupõe muitas vezes uma má alimentação, para além da falta de cuidados específicos de higiene oral. Por sua vez uma alimentação errada, como aquela à base da nossa comida ou com alimento comercial de baixa qualidade (excesso de gordura), promove também a obesidade que irá conduzir a, ou agravar, outras patologias tais como osteoartrite, doença cardíaca, diabetes, dermatites, etc.

É alarmante esta situação, cabendo-nos o papel de sensibilizar a população para saber qual a condição corporal do seu animal de companhia, de modo a aferir se tem excesso de peso. 
Mais do que os números da balança, é importante saber avaliar entre outros parâmetros, se a mascote tem cintura e se ao inspirar lhe conseguimos perceber as costelas. Se tal não acontecer estaremos no mínimo em presença de excesso de peso! Então o que fazer?
O ideal é deslocar-se ao veterinário para uma correta avaliação do estado de saúde do seu animal de companhia e se necessário iniciar um programa de perda de peso devidamente acompanhado, onde a componente do exercício físico também deverá ser equacionada. Cuidado com os cortes na dieta habitual, pois a privação indiscriminada de alimento pode originar outras doenças. 

Por curiosidade, sabia que 500g a mais num gato equivalem a 10kg a mais num homem? 

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Nutrição, o segredo está no início

Sabe-se que as preferências alimentares de cães e gatos não são inatas. Estudos demonstram que o comportamento alimentar destas mascotes está fortemente condicionado pelas primeiras experiências nutricionais em contexto de influências sociais. 

Assim, gatos e cães irão aprender por imitação da mãe a ponto de quererem comer no comedouro desta. O mesmo acontecerá se forem colocados junto a nós, ou seja, a tendência será quererem da nossa comida o que obviamente é errado.

É muito importante que a progenitora se alimente do mesmo alimento que virá a constituir a dieta na primeira fase de desenvolvimento dos filhotes, ou seja, deverá fazer um alimento júnior de elevada qualidade. 

Este alimento deverá ser iniciado ainda durante a gestação de modo a suprir a exigência nutricional a que a gestante está sujeita e para que, no pós parto, possa produzir colostro e leite de elevada qualidade e com a palatibilidade desejada, de modo a condicionar positivamente a transição dos filhotes do desmame para o alimento comercial júnior em uso.

A primeira apresentação de alimento à mascote é determinante, pois sabe-se que o passado nutricional de cada um desempenha um papel fundamental sobre as futuras preferências alimentares, que tenderão para as primeiras memórias.

Todos conhecemos uma ou mais histórias de mascotes com alterações gastrointestinais mais ou menos graves provocadas pela ingestão de “não alimentos” para a sua espécie… Se pensarmos que para além da satisfação de fazermos uma dieta adequada à mascote, também a estamos a proteger contra considerar como alimento outras coisas que não a dieta recomendada (alimento comercial premium, vulgarmente designado por ração premium), será muito mais consistente o esforço em não diversificarmos a dieta do nosso animal de companhia e não, ele não enjoa se a “ração” é boa…

terça-feira, 25 de junho de 2019

Novo e oficial boletim sanitário de cães e gatos

Dúvidas?

. Entrou oficialmente em vigor (depois de alguns atrasos) no dia 6/05/2019 e é obrigatoriamente emitido sempre que se inicie um plano vacinal num animal de companhia ainda sem boletim sanitário ou caderneta, ou com boletim antigo  (cadernetas fornecidas pelos laboratórios de vacinas) emitido depois de dia 6/5/2019, ou se esgotem os espaços no boletim ou caderneta antiga da mascote. No entanto a partir de 31/12/2021 todas as antigas cadernetas, ainda existentes, terão de ser obrigatoriamente substituídas.

. Não substitui o passaporte. O novo boletim sanitário, tal como o anterior, só é válido em território nacional.

. É de exclusiva aquisição e utilização do médico veterinário. 
Estes boletins são comprados apenas pelos médicos veterinários à OMV (Ordem dos Médicos Veterinários) e produzidos em exclusivo pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda. Deixam assim de circular os anteriormente oferecidos pelos laboratórios sobre os quais não havia controlo, indo parar também a usurpadores de funções que se faziam passar por profissionais do setor, pondo em risco a saúde animal.


Fica o tutor/detentor a saber, com toda a confiança, que com este novo boletim a sua mascote está em boas mãos!

terça-feira, 11 de junho de 2019

Alerta! Parasitas estão a aumentar…



O Conselho de Parasitologia em Animais de Companhia dos EUA  (estuda as doenças parasitárias em animais incluindo humanos), refere que as alterações climáticas, em especial o aumento da temperatura global no planeta, estão a levar ao crescimento de doenças parasitárias.

Já vários estudos previam o aumento de doenças parasitárias transmitidas por vetores, como os mosquitos, e indicavam que as carraças ampliassem a sua zona de ação e que até aumentassem a sua prevalência…
O que é certo é que na nossa região de ação (Viseu, Seia e Oliveira de Frades), de há cerca de 4 a 5 anos para cá, temos tido carraças todo o ano (antes chegavam a desaparecer no inverno) e os restantes parasitas (pulgas, piolhos, mosquitos, …) também aumentaram (constatação feita quer pela evidência dos mesmos na mascote, quer pelo aumento das doenças que transmitem, nomeadamente leishmaniose, babesiose, ehrlichiose, …). 

A tornar ainda mais premente uma resposta eficaz, temos o aumento de protagonismo do animal de companhia. O facto do seu vínculo ao Homem estar a crescer, ao ponto de fazerem parte de um grande número de famílias, dando mesmo origem ao conceito de “família multiespécie”, faz com que a aposta na prevenção seja cada vez maior.

Assim, para além de outros cuidados, é muito importante que os nossos animais de companhia cumpram um excelente protocolo de desparasitação. Este deverá ser ajustado ao risco de exposição, suscetibilidade e facilidade cumprimento de cada indivíduo, sendo por vezes necessário recorrer a associação de produtos para melhor proteção.

Felizmente a investigação acompanha estes fenómenos.
Temos assistido, em particular nos últimos anos, ao lançamento regular de novos produtos cada vez mais completos, fáceis de aplicar ou administrar, eficazes, e muito seguros!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Porquê socializar bem o meu cão?

O cão é por natureza um animal de companhia. É suposto que saiba viver em sociedade de modo a ser um adulto equilibrado.

É fundamental que desde cedo, por volta das 3 a 5 semanas, comece a ter contacto regular com o ser humano e outros animais e depois, quando chega a casa do tutor por volta das 8 a 12 semanas, seja submetido a programas de socialização de modo a aproveitar o mais possível o período crítico do seu desenvolvimento ontológico, conhecido como fase da socialização. Este é um período de excelência em que o cachorro se encontra muito disponível para absorver, de forma natural, todas as experiências a que for exposto de forma positiva e agradável.

Atenção que o período da socialização é determinante tanto para bem, como para mal! 

Tal como acontece com as boas experiências, se o cachorro passar por maus momentos é muito provável que os marque para a vida:
- Quem não conhece ou conheceu um cão que não gosta de determinado tipo de pessoas (crianças, pessoas com bengalas, guarda chuvas, etc) ou tem muito medo em determinadas situações (dias festivos com foguetes, trovoadas, etc) e não percebe porquê? Muito provavelmente em pequenino sofreu algum trauma relacionado…

O medo é porventura o pior sinal comportamental que a nossa mascote pode evidenciar, pois conduz a ansiedade, stress excessivo, depressão, podendo mesmo levar à agressividade e até à somatização com apresentação de doenças tais como dermatites, cistites, gastrites, hipertensão, etc. 

Existem já aulas de socialização, comprovadas por diversos estudos, que fazem um trabalho muito benéfico para cachorros e tutores. Estas aulas têm a designação científica de Puppy Classes e devem ser frequentadas por cachorros entre as 8 e as 14 a 16 semanas de idade dependendo do porte/desenvolvimento da mascote.

Para aqueles que já ultrapassaram a idade de uma Puppy Class, existem as Junior Classes e os treinos direcionados a estimular a socialização e/ou a reverter algum transtorno comportamental (importante passar por uma consulta de comportamento animal).


A reter que a socialização deve ser reforçada durante toda a vida do cão!